A SERVIÇO DA VIDAPor Marilu Martinelli

Atualmente um número muito grande de pessoas vendo as dificuldades pelas quais passa nossa sociedade é movido internamente a se perguntar, o que fazer, como posso ajudar? Mas, será que a pergunta não deveria ser como posso servir? Qual a diferença entre ajudar e servir? A ajuda implica desigualdade, uma das partes se apresenta sempre em desvantagem. Quem ajuda sente sua auto-estima crescer, mas o ajudado pode sentir-se diminuído e inferiorizado. Por esta razão é preciso estar atento para não transmitir inadvertidamente uma impressão de superioridade quando ajudamos alguém. Por outro lado, servir implica relacionamento entre partes essencialmente iguais embora circunstancialmente diferentes. O serviço ao semelhante é o encontro de seres humanos pelo coração. Sempre que ajudamos alguém sentimos auto-satisfação e nosso ego se sobrepõe à generosidade se apropriando do resultado da nossa ação. A ajuda espera recompensa e reconhecimento, por isso muitas vezes quem ajudamos se sente em débito e se afasta de nós. Quando servimos, a inteireza do nosso ser se revela na ação amorosa desinteressadamente, e ao mesmo tempo acolhemos o outro e somos acolhidos por ele. A compaixão, o sentir junto, elimina desigualdades e preconceitos por esta razão o serviço inspira uma visão compassiva das relações humanas. O exercício da solidariedade nutre e fortalece a bondade humana e preenche de alegria o coração de quem serve e de quem é servido. Pelo serviço experimentamos a reverencia pela vida e o Mistério se faz presente, porque servir é trabalhar pela e para a alma. O serviço renova a alegria de viver e reforça a fé em Deus e nos Seus propósitos desconhecidos. Servir é uma maneira de ver, sentir e reverenciar a vida, tudo que é feito por e com amor é um serviço, por mais corriqueira que seja a ação. Servir é entrega e doação. O impulso de servir nasce naturalmente quando percebemos que estamos todos interligados na teia delicada da natureza e o serviço ao semelhante nos torna servidores da vida.ATITUDES EM RELAÇÃO AO SEMELHANTEPara tomar consciência das nossas atitudes em relação ao outro é preciso além de nos auto-observarmos e questionarmos o que sentimos procurar compreender as diferenças sutis entre ajudar e servir. A percepção básica do outro, sob o ponto de vista da ajuda é que o outro precisa de mim porque é mais frágil e menos capaz do que eu. O ponto de vista do serviço compreende eu e o outro como pertencentes à mesma Vida e ambos como portadores de força, fragilidades, defeitos, qualidades, talentos, e capacidades. Ajudar mobiliza apenas parte do meu ser, servir mobiliza todo o meu Ser. Ajudar pressupõe saber o que é melhor para o outro, servir constrói pontes e rompe limites mútuos através da troca de energias amorosas. Nossa atitude interior perante o outro pela ajuda é de julgamento ou piedade, no servir existe abertura para ouvir, compreender e sentir o outro. A piedade distancia os corações e a compaixão aproxima os corações. No decorrer da vida o serviço vai criando bases sólidas de sustentação de valores e motivações para viver e atuar no mundo. O serviço integra pelo altruísmo os membros de uma comunidade e garante a dimensão do sonho de uma sociedade mais próspera, menos desigual e mais feliz.