ACMD se solidariza à partida de Jimena Aranda

A Associação Comunidade de Mãos Dadas lamenta profundamente a morte prematura de Jimena Cristina Gomes Aranda, aos 43 anos. Jimena foi a primeira advogada da ACMD e teve uma atuação exemplar e brilhante no decorrer nos anos em que esteve conosco.



Jimena iniciou sua carreira na ACMD no mesmo ano sua fundação, em 1996. Permaneceu conosco até 2001, quando assumiu novos desafios no Paraná. Enquanto esteve na ACMD, teve papel importante e primordial para que a doutrina da proteção integral, o Estatuto da Criança e do Adolescente e os Conselhos de Direitos alcançassem maior visibilidade e fossem implantados com maior eficácia.



Foi presidente do CMDCA de Santos, representando a ACMD e a sociedade civil sempre de forma profissional, ética, justa e, sobretudo, amorosa. Participou e ajudou a elaborar diversas iniciativas pioneiras em Santos, como a Rede Sementeira, o projeto Família Legal, a Central de Informações Mãos Dadas, as campanhas de destinação ao Fundo Municipal dos Direitos a Criança e ao Adolescente, dentre outros.



A perda de Jimena chocou a todos não apenas pela forma violenta, mas também pela precocidade. Jimena partiu tão jovem e com tantos planos de vida. Estava num momento bastante especial e sentia-se renovada com os desafios que viriam no próximo ano.



Apesar de tão jovem, Jimena realizou muito. Desde muito cedo já se envolvia com a área social. Aos 14 anos,  traduzia livros para o Braille. Dedicou-se ao segmento de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Ainda na faculdade, quando ainda não se falava muito sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, Jimena se embrenhou na área e fez dela o seu caminho profissional.



Quantas crianças e adolescentes Jimena ajudou em sua jornada? Qual a repercussão na vida de cada um deles? É bastante difícil medir esse alcance, mas com certeza modificou para melhor a vida de muitas pessoas.



No Paraná, já longe dos nossos olhos santistas, Jimena continuou a trilhar esse caminho repleto de conquistas. Esteve a frente de uma casa de apoio para adolescentes. Dizia-se que os meninos, ao passar pela triagem, pediam para morar na “Casa da Jimena”. E tornou-se uma professora admirada por centenas de alunos na universidade. Foi professora universitária na PUC do Paraná e seria doutoranda na UFRJ em 2014. Era defensora de quem mais precisava. E bailarina. Jimena era amante das artes.



Jimena  era o otimismo em pessoa.  Contagiante. Sempre  sorrindo e sempre disposta a ajudar. E tornava-se uma leoa quando o assunto era defender alguma criança ou adolescente. Assim como era doce e alegre, era igualmente firme, justa e não desistia de uma batalha, buscando sempre o caminho da construção coletiva.



Terminamos com uma frase que um amigo postou numa rede social: Jimena nos deixou dando pleno sentido à frase de Niemeyer: “A solidariedade justifica o curto passeio pela vida”.