Assessor da ACMD participa de Congresso na Áustria

O Assessor de Comunicação da ACMD, Eduardo Ravasini, participou do Living in The Encounter, em Viena, na Áustria. Ele integrou a mesa de conclusão do evento com mais três debatedores, sendo o único de um país fora da Europa. A viagem foi apoiada pela ACMD, dentre demais parceiros, e articulada pelo Grupo de Apoio à Pedagogia Curativa na Baixada Santista.


O Living in The Encounter foi a 5ª edição de um encontro mundial, voltado à conscientização  e à inclusão de pessoas com deficiência intelectual. Esta foi a primeira vez que uma delegação brasileira comparece a esse tipo de evento. Do Brasil, estavam presentes, no total, 14 pessoas (entre deficientes, terapeutas e outros profissionais). Havia dois grupos – um de Santos e outro da cidade de Botucatu (SP).


O evento ocorreu de 3 a 6 de agosto e reuniu 700 participantes, de 20 diferentes nações. A equipe de Santos prosseguiu na Áustria até dia 11. Na segunda metade da viagem, o grupo conheceu de perto Comunidades Terapêuticas Antroposóficas (ficando hospedados em uma delas).


Todos os trabalhos conferidos e a metodologia aplicada são baseados nos ensinamentos do pensador Rudolf Steiner (já falecido). De maneira geral, utilizam diversas formas de arte (artesanato, pintura, tecelagem, canto, dança, agricultura e paisagismo etc) para estimular o desenvolvimento de todos os seres humanos (independente do tipo de suas deficiências – aparentes ou não).


Na verdade, a principal função dessas Comunidades Terapêuticas é servir de moradia a grande parte dos deficientes intelectuais por elas assistidos. Inclusive, alguns dos terapeutas residem lá também. 


Impressões Pessoais 


Pelo o que pude sentir, não achei tanta diferença entre uma capital no Brasil e na Europa, no que diz respeito às deficiências físicas, visuais e auditivas. É claro que isso não deve ser interpretado como verdade absoluta, pois trata-se apenas de uma impressão muito particular e restrita da realidade que conheci. Mas, deve sim ser entendida como uma visão de alguém que tem coragem de se expor, independente de eventuais equívocos de interpretação.


Muitas coisas com que estamos acostumados por aqui, também vi por lá, infelizmente! Aeroporto, onde não se acham as chaves dos banheiros adaptados. Pasmem, os mesmos estavam trancados! Condutores de transporte público com “cara feia” para lidar com cadeirante. No metrô, por exemplo, nem todos os vagões eram acessíveis etc.


Porém, graças a Deus, há sempre um outro lado, para compensar! Seres humanos solidários e sorridentes. Ainda mais quando ficavam sabendo que éramos do Brasil. Guias de turismo e monitores formidáveis e fraternos foram verdadeiros presentes no nosso caminho. Amigos que espero manter contato pela internet. Além disso, pude vivenciar um reconhecimento profissional  e uma sensação de autoestima que levarei para o resto da vida.


Já quanto ao trato da deficiência intelectual, especificamente, quanta diferença em comparação ao Brasil. Só para me ater a um único exemplo, encontrei um deficiente intelectual, que além de tudo era cego, e tocava lindamente uma sanfona. Ele foi uma das atrações de um show de talentos, organizado durante o evento. Indescritível!


Isso prova, novamente, que não devemos duvidar do potencial de ninguém e sim dar a adequada oportunidade para que este apareça.


Com certeza, essa viagem já entrou para o seleto rol de coisas inesquecíveis – apesar de, é claro, também ter existido vários e quase intransponíveis percalços. Nem vale comentar. Só se for para rir, após superados. Simplesmente inacreditáveis! Falar em outro idioma, perto do que viria, foi moleza.


Conclusão: todos nós temos, nessa loucura que chamamos de vida, um “cercado”, que representa nossos limites. Depois dessa, mais uma vez, o meu definitivamente mudou de lugar! 


Site


Para saber mais sobre a atuação de Ravasini como Palestrante de Inclusão, acesse: eduravasini.com.br.