Crise mundial prejudica terceiro setor

A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers completou um ano e gerou uma crise financeira mundial. As empresas retraíram os investimentos, houve uma rotação menor de dinheiro, e conseqüentemente lucros menores. O Terceiro Setor, formado por instituições ligadas ao setor público e privado, tem a receita baseada em doações e ou destinações provenientes de empresas, que devem contribuir menos este ano.


A maioria dos investimentos às ONGs é feitos com base na tributação, ou seja, se há uma arrecadação menor, porque o lucro também diminuiu certamente o repasse cairá. Segundo o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santos, Renato Leite, isso já está acontecendo. “A apuração é trimestral para as empresas de maior porte, e a queda já está ocorrendo e os repasses para o Terceiro Setor com certeza diminuirão, mas não há estimativas sobre os números . Infelizmente, a menos que a recuperação da atividade econômica se dê em níveis muito altos, o que é muito improvável, a diminuição nos valores destinados será expressiva” afirmou.


Segundo a coordenadora executiva da Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD), Deborah Okida, os investimentos no terceiro setor devem ser menores este ano. “Embora seja preciso aguardar a virada de ano para ter mais consistência sobre os resultados dessa crise. É no final do ano que muitas empresas definem quanto irão repassar através de leis de incentivo”, disse.


Por outro lado, Leite, afirma que é necessário que as empresas criem mecanismos para que as ONGs não fiquem sem recursos. “Seria muito importante que as empresas, preservando sua ação social, encontrassem fórmulas para manter em certa medida o auxílio aos Fundos e às entidades por eles assistidas, mesmo que isto se desse por meio de efetivas doações, sem renúncia fiscal, e não da destinação, que é uma renúncia fiscal”, afirmou.


O comerciante Celso Marsal, que utiliza leis de incentivo fiscal para auxiliar projetos sociais, diz que é necessário que o governo aprimore a legislação nesse de destinações e patrocínios. “É impossível a simples doação. A pessoa jurídica paga uma fatia muito grande de imposto, se não há incentivo para que nós possamos colaborar, será o primeiro recurso a ser cortado”, salientou.


De outro ponto de vista a coordenadora da ACMD vê algo positivo na crise, segundo ela, as ONGs sairão da crise mais fortes e os investidores mais conscientes. “O terceiro setor cresceu muito nos últimos 10 anos. São mais de 320 mil organizações em todo o país. Acho que a crise fará com que muitas precisem repensar suas ações, unir forças com outras organizações, criar estratégias de gestão, planejamento e aplicação de recursos. Acho que os investidores também passarão a ser muito mais cautelosos e exigentes com os repasses que farão, já que terão menos recursos para investir. Mesmo sendo por um período, isso deverá criar uma nova forma de investimento e acompanhamento de ações.”, concluiu.