Desafios para a Inclusão Social na Baixada Santista

Estudos importantes começam a surgir no Brasil no sentido de oferecer à sociedade em geral uma melhor condição na análise da exclusão social permitindo decisões que levem a inclusão.

Exemplo disso é o trabalho organizado por Márcio Pochman e Ricardo Amorim, e sua equipe pesquisadores, que resultou no “Atlas da Exclusão Social no Brasil”, Vol. I e II publicado pela Editora Cortez. Aliás, leitura obrigatória para aqueles que de fato desejam participar da construção de uma história mais digna em nosso País.

Trata-se da construção de indicadores a partir da pesquisa de três temas, sendo eles padrão de vida digno, conhecimento e risco juvenil. Padrão de vida digno foi retratado pelo índice de pobreza, índice de emprego e índice de desigualdade. Conhecimento pelo índice de anos de estudo e índice de alfabetização. E risco juvenil pelo índice de concentração de jovens e índice de violência.

A apuração do Índice de Exclusão Social foi possível através da construção dos índices descritos acima e de suas ponderações para cada um dos 5.507 municípios brasileiros existentes até o ano 2000.

O quadro mostra a situação a Baixada Santista, e do melhor e do pior município brasileiro, para que possamos ter um parâmetro mais adequado na análise. Quanto maior o índice, melhor a situação social.


Todos sabemos que os números não mostram tudo, mas permitem, neste caso, um grande avanço no que diz respeito a formação de um senso crítico bem mais elaborado para o assunto.

Mas além de recomendar a leitura e o estudo do Atlas para quem nos lê neste momento, desejo trazer a esta coluna um assunto que entre os Conselheiros, Associados e parceiros da ACMD – Associação Comunidade de Mãos Dadas – temos debatido constantemente: os desafios para a inclusão social nos nove municípios da Baixada Santista.

Ao analisarmos nossa região teremos que fazer algumas ponderações importantes:

1º) O município de Santos está muito bem posicionado no ranking (4ª posição) inclusive em nível nacional, mas quem mora aqui conhece bem os fatores de distribuição populacional em função da geografia (insular) e dos custos territoriais. Em outras palavras, precisamos ponderar a migração da periferia de Santos para cidades vizinhas.

2º) Os Índices de Emprego Formal e de Desigualdade, sugerem possuirmos em Santos uma realidade melhor, mas pondere-se também a concentração de moradias da classe média de boa parte da região, ou os detentores de bons empregos, ainda que trabalhem em cidades vizinhas. Atentem para o fato destes serem os dois índices que apresentam maior discrepância entre os municípios.

Desigualdade social para ser rompida requer um esforço significativo de toda sociedade começando por nós mesmos que aqui moramos! Ainda que fatores macroeconômicos como juros altos, o risco da volta da inflação, falta de poupança interna, etc. sejam grandes dificultadores, precisamos encontrar alternativas regionais, pois outros pólos estão conseguindo isso.

Políticas que busquem a geração de trabalho, emprego, renda (e sua distribuição). Compensações sociais através de programas locais. E já temos bons exemplos que precisamos apoiar com afinco e até ampliar como: a incubadora de empresas, as bolsas nas escolas particulares para população de baixa renda em permuta por impostos municipais em Santos, o magnífico trabalho da Pastoral da Criança da Diocese de Santos que atende 10 mil crianças, os Fundos Municipais da Criança e do Adolescente. Esses são apenas alguns bons exemplos. Com certeza encheríamos este artigo com outros tantos.

Porém, aqui vai um alerta: é preciso urgentemente a elaboração de um planejamento estratégico consistente, tanto em nossas nove cidades como na Região. Sob pena de vermos a vida de nossa gente e nossa terra regredirem nos indicadores apresentados. Planejamento este que busque o desenvolvimento humano, social e econômico, de forma sustentável e no curto, médio e longo prazo.

Responsabilidade Social é uma das diretrizes de trabalho da ACMD que aliás ganhou ainda mais força nos últimos dois anos com a formalização da parceria com o Instituto Ethos. O objetivo é levar às empresas toda essa “tecnologia”, (se assim podemos chamar) de como cada empresário, suas empresas, sua gente e lideranças podem se engajar neste trabalho de forma adequada, impactando positivamente sua comunidade interna e externa.

Enfim, este artigo tem muito mais o objetivo de pautar um bom debate do que cobrar deste ou daquele setor o que se deve ou deveria ter sido feito. Mesmo por que todos somos responsáveis pela construção de uma realidade melhor. Evidentemente os detentores de maior poder político e econômico, têm também maior responsabilidade.

Mas motivos para nos organizarmos não faltam. Uma coisa é certa! Se formos eficazes, a porta de saída será uma única: a de uma sociedade justa, fraterna e desenvolvida, aquela que sonhamos para nossos filhos e netos.