Diagnosticar para a vida

A Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD) entende que todas as crianças ou adolescentes mereçam e devam ser incluídos na sociedade. Por isso, estamos ao longo de nossa caminhada também nos envolvendo com os direitos de crianças e jovens com deficiência. E um dos pontos mais trabalhados pela ACMD é a área do ensino, por entender que a educação é uma das mais poderosas formas de transformação da sociedade.

Em vista disso, alguns questionamentos vêm à tona: Como essa inclusão acontece na prática do dia-a-dia? Como podemos auxiliar melhor os deficientes a conduzirem suas vidas de forma digna, autônoma e produtiva ­ para que eles se sintam pessoas realizadas e felizes? Como fazer com que mais pessoas se habituem a ver os deficientes dentro de uma dimensão holística de ser humano?

Muitas dessas respostas teremos que construir juntos, nos encorajando para quebrar paradigmas velhos e há muito obsoletos. Só alcançaremos esse novo patamar ético quando conseguirmos abandonar os conceitos de incapacidade e renunciar ao padrão hermético do aluno ideal. Assim, nos sentiremos livres o bastante para fixar nossa atenção nas inúmeras potencialidades que cada criança ou adolescente insiste em nos mostrar, mas que nós muitas vezes deixamos passar despercebido.

A ACMD constatou que o primeiro grande entrave à inclusãoescolar de crianças e adolescentes com deficiência residia na carência de bons diagnósticos. Eram freqüentes as inconsistências ou até mesmo incompatibilidades entre diferentes pareceres provenientes de um mesmo caso. Portanto, tornava-se necessário realizar diagnósticos que fossem ao mesmo tempo confiáveis e gratuitos, mesmo porque nascem deficientes em todas as classes sociais e todos eles têm o direito de ser incluídos.

Assim, a ACMD percebeu que a cidade de Santos necessitava de um Centro de Diagnóstico. Obviamente, que uma empreitada tão grandiosa como esta só poderia ser construída em rede. Então, a ACMD encontrou no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Santos o terreno fértil que precisava para propor a idéia.

A entidade 30 de Julho, que assim como a ACMD é membro do CMDCA, aceitou o desafio de pôr em prática o Centro de Diagnóstico. Elaborou um projeto que foi aprovado pelo Conselho e financiado pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA), durante os últimos três anos. Agora, o Centro de Diagnóstico já se transformou em uma Política Pública Contínua, através de um convênio firmado com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ­ e aprovado pela Câmara Municipal.

É importante frisar que o sucesso se deve a dois fatores fundamentais. Primeiro, pela coragem do CMDCA em apostar num projeto tão inovador do qual a cidade tanto precisava. Com isso, o Conselho fez história no município, demonstrando que realmente concentra suas energias na promoção de Políticas Especiais, focadas na construção de um futuro melhor para nossas crianças. Já o segundo fator trata-se do imprescindível e valoroso empenho da equipe multidisciplinar do 30 de Julho que com maestria colocou o Centro de Diagnóstico em pé e o fez caminhar a todo vapor, superando positivamente as expectativas. Mais uma vez, parabenizamos a todos aqueles que assim como nós acreditaram nessa idéia e nos colocamos à disposição para colaborar em eventuais próximas etapas dessa relevante iniciativa.


Ao finalizar, fazemos questão de ressaltar que tudo isso só foi possível porque houve uma união de esforços (entre a Sociedade Civil Organizada e o Poder Público), a fim de se alcançar um objetivo comum, beneficiando inúmeras pessoas. Desejamos que o Centro de Diagnóstico sirva de exemplo e fique como um marco para lembrarmos sempre do poder transformador de trabalharmos em rede. E para que possamos juntos diagnosticar e fazer de fato a vida feliz!


Eduardo Vianna Júnior é Presidente do Conselho Deliberativo da ACMD.