Entidades devem focar resultados

‘‘A responsabilidade social não pode ser apenas uma bijuteria, um adereço para deixar a imagem mais bonita’’. A frase da doutora em Sociologia Rosa Maria Fischer resume um dos pontos mais discutidos durante os dois dias do seminário Redes e responsabilidade social, realizado pela Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD), ontem e terça-feira, no Mendes Convention Center.


Rosa, que é presidente do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Fundação Instituto de Administração (Ceats/FIA), explicou, durante sua palestra, que as organizações devem focar seus projetos sociais em resultados.


‘‘Não adianta só dar o prato de sopa para as crianças e tirar fotos. Precisa mostrar que a alimentação destas crianças realmente melhorou’’. Segundo ela, sem este engajamento, o desenvolvimento da sociedade fica comprometido e todo mundo sai perdendo. ‘‘Quanto mais pobreza, menos mercado para qualquer tipo de produto ou serviço’’.


A socióloga destacou que a responsabilidade social deve começar no próprio ambiente em que vivemos ou trabalhamos. ‘‘O RH (recursos humanos) deve ser prioridade em qualquer atividade’’. E destacou a importância do trabalho em rede. ‘‘Só o Estado ou o mercado ou as Ongs não conseguem sozinhos fazer mudanças em escalas suficientes’’.


Rosa ainda criticou a arrogância presente na maioria dos programas sociais, que chegam a certas comunidades impondo o que elas devem fazer. Conforme a socióloga, o correto é estimular as pessoas a encontrarem elas próprias as soluções para seus problemas, com base em suas realidades e nos recursos de que dispõem.


Segundo a diretora-executiva da ACMD, Deborah Okida, o evento serviu para conscientizar pessoas ligadas aos três setores da sociedade (Poder Público, empresas e entidades da sociedade civil) a buscar soluções para os problemas sociais em conjunto.


Mais de 200 pessoas participaram do seminário, que também contou com especialistas das áreas de ética, gestão, cidadania, criança e adolescente, meio ambiente, entre outros.


O evento, conforme Deborah, deverá ser realizado todos os anos pela ACMD, que atua na Cidade há 10 anos. ‘‘Santos é um exemplo de cidade onde o terceiro setor já funciona articulado com o Poder Público e as empresas’’, comentou a diretora.