Entrevista sobre o projeto Polo Aquático em Caruara

O professor de educação física e técnico de polo aquático, Fábio Ungaretti, nos concedeu uma entrevista exclusiva sobre o projeto “Polo Aquático – O Esporte como ferramenta de Inclusão Social”, que a ACMD está realizando em Caruara (região continental de Santos). Esta iniciativa foi aprovada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Santos (CMDCA). O órgão emitiu um Certificado de Captação de Recursos e coube à ACMD buscar financiadores na iniciativa privada.


O projeto foi patrocinado pelas seguintes empresas: Termares, Tecondi, Fertimport e Mesquita Locações. 


Introdução:


Fábio começou a fazer natação, ainda criança, aos 5 anos. Na adolescência, já com 17, conciliava o nado com a prática de polo aquático (esporte pelo qual se “apaixonou”). Fez toda sua carreira no Clube Internacional de Regatas de Santos. Hoje, com cerca de 30 anos de experiência, coleciona diversos títulos. Como jogador, foi campeão paulista (categoria estreante), bi-campeão paulista (categoria júnior) – época em que foi convocado para a seleção brasileira, terceiro lugar no mundial (categoria master). Já como técnico, foi campeão paulista e vice-campeão brasileiro (por duas vezes – uma com a equipe masculina juvenil e outra com a feminina adulta).


Segue a Entrevista:


ACMD: Na sua opinião, qual é a importância de colocar adolescentes em situação de vulnerabilidade social em contato com o polo aquático – uma modalidade não tão popular no Brasil?
Fábio:
O polo aquático é um esporte de contato e de disputa, muito acirrada. Os adolescentes que aprendem a conviver com este tipo de disputa – levando sempre para o lado da vitória, sem, contudo, usar de violência, com certeza, aprenderão a ser competitivos e leais ao mesmo tempo . Quanto à situação de vulnerabilidade, as opções que lhes são oferecidas fazem a diferença. Nós seremos uma opção de vida saudável para estes meninos e meninas.
 
ACMD: Na época do projeto com o McDonald´s, quais foram, na sua opinião, os maiores êxitos alcançados?
Fábio:
Sem levar em conta os títulos, com certeza, foram os meninos que hoje já se tornaram homens de responsabilidade, com várias profissões – e, na maioria deles, bem sucedidos. Outro êxito também é vê-los ainda participando da “família” do polo aquático no Inter (Clube Internacional de Regatas) – agora, com seus filhos e familiares, servindo de exemplo para outras gerações.


ACMD: Você considera realmente que o esporte pode ser uma ferramenta de inclusão social? Por quê?
Fábio:
Não há dúvidas quanto à inclusão – não por ser o polo aquático, mas por ser um esporte completo em todos os sentidos. Traz sociabilização, saúde e responsabilidade, entre outros fatores. Por isso, encontrei, nesse esporte, uma paixão que quero levar a outras crianças.
 
ACMD: Adriano Silva, hoje técnico de polo aquático e professor de educação física, foi um dos alunos da primeira fase? Favor, comente um pouco sobre isso e também sobre a convivência de vocês. 
Fábio:
É muito gratificante falar sobre este “menino” (afilhado, exemplo, vencedor etc etc…). São muitos os adjetivos. Dentre tantos meninos em que investimos nossos esforços para um futuro melhor, com certeza, ele será sempre o nosso “diamante lapidado”. O Adriano faz parte da nossa família – tanto no Inter (Clube Internacional de Regatas), como na minha casa mesmo. Um “garoto”, que como outros tantos, teve algumas oportunidades. Mas, ele fez questão de aproveitar todas que surgiram da melhor maneira possível. E, tenho convicção de que ainda vai aproveitar muitas outras. Hoje, o Adriano é um exemplo a ser seguido e sempre citado. Finalizando: ele é o filho que todo pai gostaria de ter. E, eu o considero como um.


ACMD: Sobre o projeto de Caruara, você acha que novos talentos do esporte também podem surgir por lá?
Fábio:
Também é para isso que estamos trabalhando. Uma frase sempre utilizada é que: “O Brasil tem um potencial enorme e um material humano maravilhoso, se trabalhado bem, teremos sim novas jóias do esporte”.


ACMD: Favor, comente um pouco sobre o perfil dessa turma? Quantos meninos e meninas? Faixa etária e demais características que você julgar importante?
Fábio: Temos no momento 16 meninos e 8 meninas, na maioria entre 12 e 16 anos. Não são nadadores, por isso, a jornada será mais longa. Mas, há muito interesse e empolgação – que deverá ser transformada em dedicação. Temos a água como aliada e vamos vencer.


ACMD: Quantas aulas já aconteceram?  Aproveite e comente um pouco sobre a metodologia de ensino que é aplicada?
Fábio:
Neste momento, já tivemos cinco aulas práticas e algumas teóricas e ainda estamos mais na fase de natação do que polo propriamente dito – não esquecendo da bola, que é o nosso maior atrativo.


ACMD: Em Caruara, as aulas ocorrem no “Portinho”, um braço de mar. Para muitos, esse tipo de prática é novidade. Costuma-se ver polo somente em piscinas. Quais são as diferenças básicas?
Fábio:
Ainda não estamos no “Portinho”. Conseguimos espaço em uma piscina emprestada e, por ter que melhorar a natação dos meninos, ainda vamos continuar aproximadamente mais um mês por lá. Quanto às diferenças, não são muitas. Mas, basicamente, são a distância da área de trabalho e o controle para descanso dos atletas.


ACMD: Por se tratar de mar, que tipo de cuidados foram tomados?
Fábio: Apenas o que já comentei: natação aprimorada e também bóias de descanso e marcação. Porém, saliento que não estamos no mar, mas sim em um braço de mar. É como um rio – talvez, isso definiria melhor nosso local de treinamentos. Estamos bem abrigados e seguros. Inclusive, para aprovar o projeto levamos especialistas no local que atestaram a viabilidade e a segurança para a realização das atividades.