Especial – Mortalidade infantil gera repercussão

O tema “mortalidade infantil” sempre gera repercussão. E, em certa medida, é bom que seja assim – porque demonstra que existe uma parcela da sociedade preocupada, e querendo contribuir para amenizar essa problemática. Foi exatamente o que aconteceu, há alguns meses, quando a ACMD divulgou os últimos dados oficiais, referentes à Baixada Santista. A Associação foi procurada pelo Jornal da Tarde e também recebeu relatos de profissionais gabaritados que têm experiência nessa questão.


Por essas razões, retomamos a pauta. Para melhor contextualizar a leitura, é bom lembrar que, segundo as estatísticas mais recentes da Fundação Seade, a Região Metropolitana de Santos, infelizmente, detém o maior índice do Estado: 18,8 mortes, a cada mil nascidos vivos – apesar dos esforços de todos, inclusive da ACMD (ver lista completa de links, ao final da matéria). 


Foi nesse sentido a declaração de Eduardo Vianna Júnior, atualmente Conselheiro da ACMD, ao Jornal da tarde. Ele reforçou a importância de haver o engajamento dos três setores da sociedade. Também foi a ACMD que indicou, para a reportagem, o contato  da Coordenação Diocesana da Pastoral da Criança, na Baixada. Na ocasião, Denacir de Moura disse que faltam campanhas de incentivo sobre o assunto.


O outro lado – A ACMD recebeu, espontaneamente e por escrito, relatos de duas profissionais, com vivência nesse tema. O primeiro foi da Dra. Valeriana Moura Ribeiro, médica pediatra, com cerca de 40 anos de carreira e especialista em neurologia infantil.


Ela lembra que a mortalidade infantil no Brasil “tem apresentado progressiva redução” nas últimas três décadas. Recorda ainda que o nome técnico do indicador específico, estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) – que contabiliza o número de óbitos de crianças menores de um ano, a cada mil nascidos vivos.


A especialista escreveu que, em 1980, havia 83 mortes. E que, já em 2006, menos de 30 anos depois, esse índice caiu para 22. Posicionamento que demonstra coerência com os dados mais recentes, divulgados pelo IBGE, apesar de uma pequena variação. Segundo essas novas informações, publicadas ontem (2 de dezembro), pelo Jornal A Tribuna, a mortalidade infantil no Brasil foi de 22,47 no ano passado.


Dra. Valeriana reforça a importância de se “combater às causas evitáveis e manter a atenção às causas desconhecidas”. Dentro disso, elenca algumas ações preventivas: iniciativas básicas de saúde pública, cuidados direcionados às gestantes (acompanhamento desde o pré-natal até o pós-parto), assistência médica  adequada e imediata em situações de risco, além da diminuição das desigualdades econômicas e culturais.


“Em vários Estados do País, ações adequadas têm proporcionado a redução do CMI. Em função dos investimentos, não somente aos fatores acima relacionados, como em atualizações contínuas de conhecimentos, pesquisas e aprimoramentos tecnológicos”, comentou Dra. Valeriana.


Ao concluir, ela afirma que é preciso ampliar a visão e considerar também aspectos ligados à cultura, esporte e lazer – investindo na prevenção, com o auxílio de outros profissionais (enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, pedagogos etc).


Integração – Também como retorno à matéria divulgada sobre mortalidade infantil, a ACMD recebeu o relato (espontâneo) da assistente social, Maria Del Pilar, que trabalha na Secretaria de Assistência Social (Seas) de Santos.


Segundo ela, a integração dos serviços públicos já vem acontecendo. “A Comissão de Acompanhamento dos Programas articula a rede e aciona cada ente, quando qualquer situação de risco amplia a vulnerabilidade da família (gravidez, morte na família, afastamento por doenças, entre outros fatores considerados emergenciais). O monitoramento ocorre mensalmente”, afirmou.


Como exemplo, Pilar cita as visitas domiciliares, feitas por técnicos dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), às adolescentes grávidas, apontadas pelas escolas. E, assim “garantindo que as jovens possam desfrutar da licença gestante, prevista em lei, desenvolvendo suas atividades no lar, sem a perda do ano letivo”.


Já do ponto de vista médico, pelo relato enviado, contam com o apoio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) – além do acompanhamento no desenvolvimento da gestação, com consultas neonatais e pós-parto. Orientações sobre aleitamento materno e alimentação saudável também são realizadas, conforme manifestação da assistente social.


“A responsabilidade para com a vida é do cidadão e do Estado. O Poder público tem compromissos imprescindíveis por meio da oferta de serviços e do acesso aos mesmos, em especial nas áreas da educação, saúde e assistência social”, declarou Pilar.   


É importante ressaltar o trabalho realizado pela Pastoral da Criança, idealizado e protagonizado pela saudosa Dra. Zilda Arns. A iniciativa faz com que comunidades carentes, normalmente com acesso mais difícil, sejam atendidas por lideranças comunitárias, que fazem o acompanhamento das crianças até seis anos de idade, além das gestantes e diversas outras atividades de prevenção, sem falar na Multimistura, farinha enriquecida que ajuda na reversão dos quadros de desnutrição.


Na Baixada Santista, amplo trabalho de divulgação, apoio e implantação de núcleos multiuso foi realizado pela ACMD e diversos parceiros, possibilitando melhores recursos para o atendimento das líderes comunitárias.


Veja os Links que complementam ainda mais esse assunto:


Mortalidade na Baixada Santista é de 18,8  


Jornal da Tarde aborda mortalidade na Baixada 


Artigo demonstra relação entre a Dra. Zilda Arns e a ACMD 


Dra. Valeriana visita a ACMD