Estudo mostra o perfil da nova geração de investidores sociais

A pesquisa Next Gen Donors: Respecting Legacy, Revolutionizing Philanthropy, realizada pelo Johnson Center for Philanthropy e a organização americana 21/64, mostrou o perfil dos grandes doadores da próxima geração nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, em que os entrevistados possuíam entre  21 e 40 anos, um grupo relativamente pequeno de jovens da chamada “Geração X e Millennials”  herdarão US $ 40 trilhões em riqueza, e grande parte será designado para o investimento social.


O guia Grantgraft Next Gen Donors: Shaping the Future of Philanthropy foca, com isso, no que os 30 importantes doadores da próxima geração pensam sobre o próprio investimento social e de seus pares, com o objetivo de aumentar a compreensão e estimular a discussão sobre os principais doadores. Foram explorados temas como orientação filantrópica, prioridades, estratégias e tomada de decisões.


Segundo a vice-presidente do Foundation Center Lisa Philp, a nova geração acredita que eles são mais propensos a abordar a sua doação a partir do ponto de vista dos problemas a serem resolvidos, em vez de instituições a serem apoiados.”Eles descrevem a facilidade de aprendizagem sobre as questões e se conectar com as pessoas através da mídia social e discutem o seu desejo de serem participantes ativos no investimento social familiar incluido suas habilidades, experiências e perspectivas”, declara Lisa.


As gerações que têm o potencial de serem os filantropos mais importantes da história vêem “estratégia” como o principal fator de distinção entre eles e as gerações anteriores. Um dos entrevistados, Jason Franklin da organização Bolder Giving comenta mais sobre o assunto em seu blog. O guia GrantCraft também revela que eles vêem as gerações anteriores como mais motivadas por um desejo de reconhecimento ou das próprias exigências sociais, enquanto eles têm como prioridade o impacto gerado a partir de suas ações.


Brasil
O Brasil ainda não possui uma pesquisa simlar, que possa analisar esse cenário no país. Mesmo assim, há indícios. Recentemente, Jane Wales, da Global Philanthropy Forum disse em entrevista à Revista Veja que o Brasil é uma força global como doador, e os brasileiros estão cada vez mais sensíveis aos problemas de outros países.


Segundo ela, se houvesse mais incentivos e menos enrosco burocrático, eles poderiam contribuir mais e com maior frequência. Ela afirmou ainda que o filantropo moderno não quer investir apenas dinheiro, mas também o conhecimento que adquire no seu campo de atuação.


O presidente do Instituto Azzi- organização que assessora indivíduos a fazer de maneira estratégica o planejamento, execução e acompanhamento de seu investimento social pessoal ou familiar no Brasil – Marcos Flávio Azzi, acredita que o envolvimento da nova geração é mais recente, algo em torno de cinco anos. “O engajamento de jovens na filantropia organizada, com foco e visando impacto social, esbarra no Brasil na falta de uma cultura, que envolve também uma pressão saudável da sociedade e a herança social e familiar”, relata Azzi.


Ainda em análise do cenário brasileiro, o Censo GIFE 2011-2012 apresentou que, embora mantenha a tendência apresentada nas edições anteriores, em que a maior parte dos investidores tem origem corporativa, dobrou o úmero de organizações independentes e familiares que fazem parte da Rede GIFE (veja lista de associados).


“Observamos cada vez mais famílias querendo estruturar e institucionalizar seu investimento na área social. Para eles, é uma forma de contribuir com a sociedade e deixar um legado da família˜, afirma Ana Carolina Velasco, gerente da área de Relacionamento do GIFE e responsável pelos encontros entre investidores familiares na organização.”


Segundo ela, as novas gerações também trazem esse desejo, seja ao criar suas próprias organizações, seja ao participar e fortalecer, com novas ideias, as organização (fundação ou instituto) da família. Embora normalmente tenham início por uma liderança dentro da família, essas organizações contam também com envolvimento e participação dos outros familiares. “É importante que todos se identifiquem com a missão e ações da organização e se sintam como corresponsáveis pela transformação social que buscam.”


Esses dados confirmam que o setor do investimento social está caminhando para um ambiente mais diversificado, com um espaço mais propício para a criação de fundações independentes, sejam elas comunitárias, individuais ou familiares, assim como definido na Visão 2020 apresentada pelo GIFE em 2010.


Ana Carolina lembra também que no cenário brasileiro a causa escolhida traz à família que participa um sentimento de pertencimento, que só organizações familiares podem prover. “As decisões são coletivas e por uma causa que vale a pena lutar”.


Com informações do Portal GIFE.