Estudo retrata a sustentabilidade financeira das ONGs no Brasil

Cerca de 17 milhões de brasileiros fazem doações individuais para as entidades, totalizando cerca de 5,2 bilhões de recursos doados por ano. Esse é um dos dados levantados pela pesquisa executado pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, durante o Seminário Arquitetura Institucional de Apoio às Organizações da Sociedade Civil, que ocorreu entre os dias 4 e 5 de abril.


Esse estudo foi encomendado pela Articulação D3 (Diálogo, Direitos e Democracia), que reúne em seu grupo de referência instituições como ABONG, Fundação WK Kellogg, Fundo Baobá, Instituto C&A e Fundação Avina. A ideia da pesquisa é apresentar o cenário de financiamento das organizações da sociedade civil e as oportunidades para o aumento na mobilização de recursos.


Para mapear o cenário de financiamento das organizações, a pesquisa realizada pelo CEAPG-FGV em parceria com a D3 foi dividida em quatro eixos: cooperação internacional, novos formatos, recursos públicos e investimento social privado.


A estimativa é que cerca de 80% do valor dessas doações são destinadas para conhecidos, pessoas ou comunidade próximas, e, apenas 20% são destinadas a 290 mil fundações e associações sem fins lucrativos (último levantamento da FASFIL do IBGE), sendo que desse grupo, 42 mil são voltadas para a defesa de direitos, o foco da pesquisa.


E, nesse grupo, são divididas em: 14.568 associações de moradores, 23.149 centros e associações comunitárias, 1.031 de desenvolvimento rural e 388 de emprego e treinamento, 4.662 de defesa de direitos de grupos e minorias, e 1.363 de outras formas de desenvolvimento e defesa de direitos.


Há uma necessidade de estudar formas de comunicação entre esses órgãos e a população para que esses recursos sejam destinados as suas causas e, assim, aumentar o número de arrecadação delas.


No final do estudo, há sugestões e desafios de apoio às organizações de direitos humanos, subdivididos em: empresas e organizações corporativas que praticam ações de investimento social privado; organizações de apoio a esse tipo de iniciativa, como instituições acadêmicas e consultores; e organizações da sociedade civil.


Para o primeiro grupo, foi indicado entender o cenário de mudança de financiamento na área; incorporar conceitos e preocupações de direitos humanos em investimento em áreas; quando financiar direitos humanos pensar em mudanças legais em termos culturais e da própria sociedade; ampliar o debate sobre direitos humanos para além do investimento social e acelerar o desenvolvimento de boas práticas.


Aos integrantes do grupo de apoio do investimento social privado, da academia e consultores, foi sugerido: desenvolver capacitações sobre investimento sociais e direitos humanos; promover trocas de experiências/peer-learning entre investidores sociais; estimular novos eventos, ou abrir espaço nos existentes, facilitando uma ponte entre os investidores e as organizações da sociedade civil; continuar a desenvolver ações para estimular outros modelos não corporativos de investimento social; liderar e contribuir para uma maior e regular produção de dados; promover mais investigações sobre o investimento social privado em geral.


Para as organizações da sociedade civil, foi indicado para esses órgãos continuarem o monitoramento e pressão sobre investidores sociais e empresas; contribuírem para criação de uma cultura de investimento em direitos humanos e buscarem caminhos alternativos para tratar de direitos humanos no ambiente corporativo.


Constituída em 2009, a Articulação D3 (Diálogo, Direitos e Democracia) é composta por um grupo de organizações não governamentais, institutos e fundações privadas nacionais, agências de cooperação internacional bilaterais e multilaterias.


Seu objetivo é sensibilizar e articular representantes de distintos setores (social, empresarial e governamental) para construir uma estratégia conjunta voltada à sustentabilidade das organizações da sociedade civil, além do aprimoramento da influência dessas organizações sobre políticas relacionadas às áreas em que atuam.