Estudos estimam quantidade de homicídios entre adolescentes

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), promovido pelo Programa de Redução da Violência Letal (PRVL), estima que dois a cada mil adolescentes, com idades entre 12 e 18 anos, devam ser vítimas de homicídios. Esse levantamento foi feito com um conjunto de 267 cidades brasileiras, com mais de 100 mil habitantes. A iniciativa é fruto de uma parceria entre: Observatório de Favelas, UNICEF, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj) e Organização Intereclesiástica de Cooperação para o Desenvolvimento (ICCO).


As informações foram feitas levando-se em consideração dados do Ministério da Saúde, a partir de 2006. Os homicídios representam 45% das mortes de jovens entre 12 e 18 anos. Um índice bastante elevado, que pode ser classificado como muito violento. Os números podem piorar se também forem contabilizadas as mortes não comunicadas, como por exemplo, os desaparecimentos. Ainda segundo o levantamento, os óbitos ocorrem pelo fácil acesso a armas de fogo.


As duas cidades com maior taxa de mortalidade causada por homicídios são Foz do Iguaçu (PR) e Governador Valadares (MG), respectivamente. Na cidade paranaense, as crianças entram cada vez mais cedo para o tráfico de drogas e armas, que tem forte ligação com o Paraguai. Estima-se que cada criança, envolvida com o crime, chega a ganhar cerca de R$ 500 por semana, o que é um atrativo muito grande. Em Governador Valadares, por exemplo, a cada grupo de adolescentes entre 12 e 18 anos, 8 deles devem ser vítimas fatais.


Em 2008 foi publicado outro estudo, chamado “Mapa da Violência: Os jovens da América Latina”, lançado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla). A pesquisa mostrou que o Brasil está em quinto lugar (num ranking de 83 países) na taxa de homicídios de jovens entre 15 e 24 anos.


Outra pesquisa, realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), mostrou as mortes ocorridas em 1980 a 2002. Constatou que a violência vem crescendo nos últimos 30 anos. E que não estão sendo tomadas medidas adequadas para a prevenção.