Francisco Azevedo concede entrevista exclusiva à ACMD


Francisco Azevedo, que participou da abertura do Seminário da ACMD, em 21 de Novembro, concedeu uma entrevista exclusiva para a ACMD. Nela, ele relata um pouco do seu envolvimento com várias entidades do Terceiro Setor e também expõe alguns conceitos relacionados a esse assunto. Francisco é Representante da Fundação Avina no Brasil (Região Sudeste e Distrito Federal). É graduado em Administração de Empresas, com especialização em Desenvolvimento de Recursos Humanos.




ACMD – No seminário da ACMD, o senhor irá abordar o papel do Terceiro Setor
e  sua  relação dentro do trabalho em rede com os demais segmentos. Poderia
nos  dar  algumas palavras sobre esse tema e qual a importância do trabalho
em rede para a área social?


Francisco  –   Para  enfrentarmos  os  graves  problemas sociais não é mais possível  ações  isoladas.  É  necessário  que haja co-responsabilidade por parte  de  todos.  Precisamos  aprender  a distinguir o público do estatal. Aquilo que diz respeito às questões públicas deve contar com a participação de  toda  a sociedade organizada, das empresas e do Poder Público. A lógica dos  três  setores  é diferente e deve ser respeitada, porém, existem muitas formas   de   complementaridade,  de  sinergia,  de  interesses  comuns.  O desenvolvimento  sustentável  só  será possível se os três setores atuarem em conjunto, preferencialmente de forma bem articulada.


 



ACMD  –  Na  sua  opinião,  o sucesso de um determinado projeto social está intimamente relacionado com sua capacidade de desempenhar articulações?


Francisco  –  Depende muito das características do projeto, mas normalmente a  capacidade  de articulação é uma questão crucial para a implementação de projetos  sociais,  pois  em geral, exigem envolvimentos de muitos atores da sociedade.




ACMD  –  Quais  são  os principais fatores responsáveis pela manutenção das redes humanas, focadas no âmbito social?


Francisco  –  Em alguns casos, chega a ser mesmo instinto de sobrevivência. As redes  normalmente  são  criadas  a  partir de uma necessidade, por pessoas comprometidas  com  uma  determinada  causa, e dela participam e permanecem aqueles  que comungam da mesma idéia e sentem que a sua permanência na rede pode  fazer  alguma  diferença.  Os  fatores  que mantêm uma rede viva são: organização,  uma  causa  que  mobiliza  as  pessoas,  resultados, troca de experiências  e  conhecimento,  sentimento  de pertencimento, compromisso e também, é  claro,  o  prazer de fazer parte, de estar unido a um grupo de pessoas sintonizadas.




ACMD  –  Conte um pouco sobre a Fundação AVINA e a respeito da participação do senhor nessa ONG?


Francisco  –  A  Funda  Avina  é  uma  organização  fundada  em  1994, pelo empresário suíço Stpehan Schmidheiny.  A Fundação Avina atua  em 14 países na América Latina,  e  tem como missão contribuir com o desenvolvimento sustentável na América  Latina,  apoiando  líderes  da sociedade civil e do empresariado e contribuindo  na  articulação  entre diversos atores da sociedade, de modo a criar  condições  para  que  surjam  boas  idéias  e  ações voltadas para o desenvolvimento  sustentável, para a equidade, governabilidade democrática e estado de direito e manejo sustentável de recursos naturais.




ACMD – Ao exercer a presidência da Federação de Fundações Privadas de Minas Gerais, como foi conduzir simultaneamente empreitadas referentes à Responsabilidade Social e ao Desenvolvimento Sustentável?


Francisco – A atuação no Terceiro Setor sempre foi, para mim, um grande desafio e, ao mesmo tempo, um grande prazer. Na verdade, por mais que possam parecer diferentes, essas atuações são complementares. Não se pode falar em desenvolvimento sustentável sem considerarmos as dimensões humanas, sociais, econômicas e ambientais e neste contexto a responsabilidade social das empresas tem que estar presente neste debate.   São elas o motor do crescimento econômico, e na busca deste crescimento elas  podem deixar atrás de si um desastre ou promover o desenvolvimento sustentável.




ACMD  –  O  senhor  também  fez  parte da diretoria do Grupo de Institutos,
Fundações  e  Empresas  (GIFE). O que de mais positivo é possível ressaltar
desse período?


Francisco – O  papel  do  GIFE  tem sido de grande importância para o aprofundamento de estudos relacionados ao investimento social privado no Brasil. Reúne  hoje quase  100 grandes  empresas,  Institutos  e  Fundações que atuam de forma planejada na área social. Na verdade, o GIFE, ao  longo  de  sua história, vem contribuindo na orientação para que o investimento  social  privado seja feito cada vez mais de forma eficiente, voltada para resultados, em sintonia com políticas públicas, visando cada vez mais  ampliar sua escala e seu impacto. Desenvolve também estudos e estimula a construção de parceiras entre os três setores.