Investimento social cresce e se torna mais qualificado

Os investidores, além de mais generosos, estão mais focados em suas doações. É o que mostra os resultados da 6ª edição do Censo Gife, mapeamento bienal realizado pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) com sua rede de 143 associados de todo Brasil. Os dados mostram um crescimento de 8%, em relação ao ano passado, o que equivale a uma alta de R$ 2,35 bilhões nos investimentos em projetos sociais.


As áreas de interesse de atuação por associado diminuíram de seis para cinco. “Os recursos foram direcionados a menos projetos, o que indica um aumento na qualidade do investimento”, explica o secretário-geral adjunto do Gife, Andre Degenszajn, responsável pela pesquisa.


A educação se mantém como a principal área beneficiada pelos investidores, com 86% do total. No entanto, o setor de defesa de direitos foi o que mais recebeu benefícios — 12% mais em relação ao período anterior. “Notamos um interesse maior das empresas em colaborar com organizações não-governamentais”, diz Degenszajn.


Doações para ações voltadas ao ambiente tiveram queda. Só 7% do total dos investimentos foram direcionados para essa temática. “Ficamos surpresos com esse indicador. Uma explicação possível é o efeito bolha decorrente da Rio+20, ou seja, houve um incremento voltado mais para uma conjuntura específica do que para ações de longo prazo”, afirma Degenszajn.


A pesquisa aponta ainda o aumento da abrangência geográfica dos investidores. Em 2009, a média do número de Estados que receberam investimento foi de dez por organização. Em 2011, a média subiu para doze.


“Nosso objetivo é mostrar como o setor está organizado, quais as principais tendências que tanto servem para pesquisa acadêmica como também são um instrumento para investidores planejarem suas ações”, esclarece o secretário-geral.


Transparência
Referente às prestações de contas, houve aumento do número de associados que publicam relatórios de atividades (77%), demonstrações financeiras (51%) e parecer de auditores externos (36%). “No entanto, há ainda um percentual muito alto que não cumpre essa prática. Pelo porte dos investimentos, esperamos que a transparência esteja presente em 100% das empresas.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo.