Novas opções para as sacolas plásticas


Quinhentos anos. Esse é o tempo que demora para se decompor cada uma das 16 bilhões de sacolas plástica fabricadas — com polietileno, produto derivado do petróleo —, por ano, no Brasil. Desse número, mais de 1 bilhão são utilizadas em supermecados e 80% delas viram sacos de lixo, parando em aterros sanitários, e trazendo danos ao meio ambiente. Com a finalidade de amenizar esse impacto, têm surgido no mercado alternativas para substituir as sacolas pláticas por material oxibiodegradável, biodegradável e até retornável.


As sacolas oxibiodegradáveis são feitas com a mesma matéria-prima das plásticas, porém, recebem um aditivo pró-oxidante com sais metálicos, que aceleram a degradação. Um deles aditivos é o D2W, utilizado por mais de 160 empresas do País. Esse produto faz com que as cadeias de polímeros (formadas por móleculas de carbono e oxigênio) sejam quebradas de forma a permitir a biodegradação em menos tempo. Ou seja, uma decomposição que levaria mais de cem anos, acontece em dois ou três anos.


No entanto, essa tecnologia divide opiniões. Segundo alguns especialistas, as sacolas de oxibiodegradáveis também poluem, já que o produto não desaparece, mas se pulveriza, isto é, como se virassem pó. A degradação completa dos plásticos com aditivo foi constatada também pelo professor Guilhermino Fechine, do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Mackenzie.



Ele comparou amostras de polipropileno, uma delas com pró-oxidante, com o plástico biodegradável. Após serem submetidas à radiação ultravioleta por 480 horas e, em seguida, enterradas no solo por 56 dias, foi verificado que o oxibiodegradável se fragmentou, mas não totalmente. Por outro lado, o estudo com os oxibiodegradáveis desenvolvido pelo engenheiro químico Telmo Ojeda foi favorável ao material. Os critérios de Ojeda foram diferentes dos de Fechine, inclusive com exposição natural do produto por 12 meses.



Já outro tipo de sacolas, conhecidas como biodegravel é produzida com derivados do amido ou cana-de-açúcar — que se decompõem totalmente na natureza num período médio de um ano. Entretanto, a produção em larga escala desse produto ainda não ocorre no País. Uma das razões é o custo, que dificulta a produção do plástico filme, usado para fazer esse tipo de sacola.



Também utilizando a cana-de-açúcar como base, outra opção para minimizar os impactos do plástico no meio ambiente, trata-se das sacolas de polietileno — já fabricadas no Brasil —, elas não são biodegradáveis e custam caro, porém sua fonte é renovável. Outra alternativa que compõe a lista, é as sacolas retornáveis, que podem ser de pano ou plástico mais resistente. Vale ressaltar que de todo plástico usado no País – incluindo as sacolas – 570 mil toneladas são reciclados. Isso representa apenas 21% do total desse material descartado.