O trabalho como ressocialização de jovens

Artigo publicado no Jornal A Tribuna (página A-2), na última segunda-feira, 10 de outubro de 2011.


Em tempo de novas tecnologias, redes sociais, dentre outros – o trabalho e suas diversas relações estão passando constantemente por muitas adaptações e releituras. Com tantas visões diferentes, para não perdermos o foco, às vezes, se faz necessário resgatar alguns princípios básicos.


O que é o trabalho? Resumindo, em termos sociais, o trabalho é a contribuição que cada um de nós dá à sociedade em geral (entenda-se aí desde bairro, Cidade, Região, Estado e País). E, agora, do ponto de vista individual? Discussões à parte, em termos pessoais, o trabalho é – ou pelo menos deveria ser – uma grande fonte de satisfação e autoestima. Norteada pela sensação de pertencimento e espírito de grupo. É, acima de tudo, sentir-se útil e fazer parte de um todo.


Foi, sob esses dois pontos de vista, que a Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD), juntamente com a Associação Horizontes, elaborou o Projeto de Diagnóstico e Qualificação Socioprofissional. Tratam-se de capacitações, exclusivamente voltadas a adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas em meio aberto, em Santos.


Essas medidas são aplicadas a adolescentes que cometeram atos infracionais, com a finalidade de reparar ou compensar esses atos. São várias e estão previstas no artigo 112 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O fato de ser “em meio aberto” significa que a liberdade continua preservada.


As aulas em questão começaram em 13 de setembro, com dois cursos: “Atendimento e Recepção” e “Panificação Artesanal”. Visam que o participante possa ingressar no mercado de trabalho, adquirindo uma formação específica (escolhida livremente, dentro das disponíveis no projeto). O que abrirá um leque de opções para a vida, não só no aspecto profissional, pois além disso, é uma excelente oportunidade para se trabalhar, com esses adolescentes, temas como cidadania e valores humanos.


O Projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Santos (CMDCA) e está sendo financiado com recursos do Fundo do próprio Órgão. A iniciativa – que terá duração de praticamente dois anos – pretende capacitar, ao final, até 450 adolescentes.


Daqui para frente, haverá oportunidades em outros ramos de atuação. A escolha dos dois primeiros cursos foi fruto de um cruzamento de dados, entre o interesse manifestado pelos próprios jovens e a natural vocação de negócios da nossa Região – aliada às orientações técnicas da Associação Horizontes, que já realizou, com êxito, projetos semelhantes.


A ideia inicial é que, aqui em Santos, comecem duas  novas turmas por mês. Esse projeto surge em um momento propício, onde a Cidade vive, de certa forma, pautada e na expectativa de um considerável salto no desenvolvimento, já no médio prazo.


A descoberta do pré-sal, a expansão do Porto, a explosão imobiliária são alguns dos fatores que integram esse contexto. Para completar esse cenário promissor, a Prefeitura anunciou, no fim de setembro, no Jornal A Tribuna, a soma de R$ 2 bilhões de investimento para 22 obras prioritárias.


Ou seja, oportunidades não vão faltar. Mas, o principal é que, ao ingressar no mercado de trabalho formal, nossos jovens (em particular, esse público específico) estarão ganhando, acima de tudo, mais dignidade e construindo um futuro melhor!


• Marcelo Bechelli Monteiro é empresário e Presidente do Conselho Deliberativo da ACMD.


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