Pesquisa analisa causas da evasão escolar


A falta de interesse e a necessidade de trabalhar são as principais razões da evasão escolar de adolescentes. O dado é da pesquisa sobre o tema realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde foi verificado que 40,1% dos jovens abandonaram a escola por desinteresse e 27,1% saem em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. Os resultados do levantamento ajudaram a quebrar mitos como de que os jovens de comunidades pobres abandonam a escola para trabalhar, mostrando que as maiores taxas de evasão por este motivo estão nas regiões mais desenvolvidas.


Essas conclusões fora obtidas por meio de perguntas feitas aos adolescentes e pais. Foram questionados: “porque não estão na escola; se pela necessidade de trabalhar; por não haver vaga ou escola perto de casa; dificuldade de transporte; ou por que não querem a escola que aí está?”. Foram utilizados também dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2004 e 2006 e Pesquisas Mensais de Emprego até o final de 2008.


Entre 2004 e 2006, foi constada a diminuição do número de estudantes que largam os estudos por falta de interesse de 45% para 40,1% e crescimento da evasão por trabalho ou busca de emprego, de 23% para 27,1%. Outro ponto levantado, é que o percentual de jovens de 15 e 17 anos fora da escola é mais alto nas regiões ricas. Entre os adolescentes empregados nestas localidades a evasão afeta 28% dos pesquisados. Em São Paulo, chega a 18,7% e Porto Alegre 18,8%.


O abandono dos estudos por parte dos jovens ocorre, principalmente quando há um aquecimento da economia das regiões mais desenvolvidas, o que gera mais oportunidade de trabalho. O que não acontece nas regiões mais carentes onde não são oferecidas muitas vagas de emprego. Vale ressaltar que a cada ano de estudo, há um aumento médio de 15% na renda do trabalhador.


Já em relação à evasão devido ao desinteresse, os pesquisadores apontam algumas políticas públicas que poderiam ajudar a minimizar o problema. Algumas delas seriam a ampliação do ensino técnico-profissionalizante, a promoção da inclusão digital nas escolas e a conscientização dos adolescentes sobre os benefícios, a longo prazo, provenientes dos estudos.