Primeiro deficiente visual a ter um cão-guia na Baixada Santista

Sílvio Roberto Gonzaga de Souza, de 45 anos, é o primeiro deficiente visual da Baixada Santista a contar com a colaboração de um cão-guia. Sílvio, que é professor  de informática, teve o apoio do Lar das Moças Cegas (LMC), onde dá aulas, e da Casa da Visão. Essas entidades também se colocam à disposição para auxiliar outros deficientes que desejem adquirir cães com essa finalidade.


 


O professor de informática perdeu totalmente a visão dos dois olhos após um acidente, há 14 anos. Agora, ele já conta com a ajuda do cão Jerri, um labrador de pelagem preta.


 


Sílvio e Jerri chegaram a Santos no último dia 28, após passar duas semanas em Brasília, no Instituto de Integração Social e de Promoção da Cidadania (Integra), onde se conheceram e receberam instruções. No local é desenvolvido o Projeto Cão-Guia de Cego. Jerri, que tem dois anos de idade, deverá “trabalhar” até os dez, quando então vai se “aposentar”.


 


O principal obstáculo para conseguir o cão era financeiro, pois além de pagar a ida à Brasília, a estadia e a vinda do instrutor, o professor de informática pagou mais de R$ 7 mil para ter o seu cão-guia. Com a ajuda de empresários, que arcaram com as despesas (menos a da compra do cão), e depois terão parte delas descontada no Imposto de Renda, o dono de Jerri conseguiu viabilizar a posse do animal.


 


Se tivesse pago R$ 15 mil, o deficiente teria direito, depois da “aposentadoria” de Jerri, a outro cão. Como pagou menos, caso queira outro animal, daqui a oito anos, terá de comprá-lo novamente.


 


Contudo, o processo de “adoção” do cão-guia não considera apenas o fator financeiro. Antes de ter a posse do animal, o deficiente visual é avaliado pelo Integra, que analisa se a pessoa terá condições de mantê-lo. O cão, que passa um ano na casa de uma família, também é avaliado; somente aqueles que demonstram ter aptidão para o trabalho de guia é que são utilizados.


 


Através de uma parceria do Integra com a Bayer e a Premier, Sílvio tem garantido a ração de que Jerri precisar, sem ter que pagar por isso. Ao professor caberá arcar com as despesas com veterinários e cuidados extras.