Projeto Família Acolhedora de Santos


O projeto Rede de Famílias Acolhedoras, de Santos, tem como principal objetivo encaminhar crianças em situação de risco a uma família temporária – evitando, assim, sua ida para um dos abrigos do município. Segundo a coordenadora do programa, a psicóloga Maria Luíza Ferraz de Campos, seria importante aumentar o número de famílias participantes, para poder atender a demanda existente. O projeto beneficia crianças recém-nascidas até jovens com 18 anos.



O Família Acolhedora, que teve início em fevereiro de 2005, é uma iniciativa da Secretaria de Assistência Social de Santos (Seas). O projeto funciona da seguinte forma: os Conselheiros Tutelares identificam que uma determinada criança se encontra em situação de risco e a encaminha para o Família Acolhedora. Desde o começo do projeto, houve 60 solicitações, mas apenas 15 delas puderam ser atendidas, pois são poucas as famílias disponíveis. Atualmente, 12 famílias estão cadastradas no programa. Conforme explicou Maria Luíza, uma cidade do porte de Santos necessitaria de cerca de 200 famílias acolhedoras.



A família que acolhe recebe permissão jurídica para deter a guarda temporária. Os interessados em participar do projeto têm que passar por uma avaliação. Profissionais responsáveis pelo programa fazem uma visita na residência da família. É imprescindível que todos os membros familiares estejam presentes.



Caso a equipe do projeto aprove, aquela família vai passar por uma capacitação de cinco reuniões, com três horas cada. Na ocasião, farão dinâmicas e debates para preparar psicologicamente as pessoas para acolher a criança. Além disso, aprenderão alguns conceitos básicos sobre a diferença entre guarda, tutela e adoção. Cada família pode acolher, no máximo, três crianças e recebe, por cada uma, uma bolsa-auxílio mensal de R$ 240,00. O responsável pela criança deve ser, no mínimo, 16 anos mais velho do que ela.



A família que acolhe pode escolher o perfil da criança de acordo com algumas características, como, por exemplo, sexo, idade, etnia, dentre outras. Conforme explicou Maria Luíza, essa opção não significa preconceito. É apenas uma forma de facilitar a adaptação, tanto para a criança, quanto para os familiares acolhedores. “Há famílias que tem dificuldades para lidar com adolescentes, por exemplo. A participação no Família Acolhedora é uma iniciativa voluntária. Eu não posso e não devo obrigar essa família a aceitar um jovem, se isso irá, de alguma forma, criar um problema”, exemplificou a psicóloga.



“Também não posso, por exemplo, colocar um bebê para ser cuidado por uma família que é composta apenas por um casal, no qual ambos trabalhem fora o dia inteiro. Pôr uma menina numa família que só tenha filhos homens, também é outro exemplo que geraria dificuldades, pois uma menina tem necessidades diferenciadas, com as quais essa família não está acostumada”, acrescentou Maria Luiza.



Por todas essas razões, segundo a coordenadora do projeto, quanto maior for o número de famílias participantes, melhor será o Família acolhedora, porque mais vai ser fácil e ágil a adequação do perfil das crianças e às famílias.



Em casos nos quais os pais biológicos estão mortos, o Família Acolhedora procura familiares extensivos – avós, tios e primos –que estejam dispostos a ficar com a guarda da criança. “Recentemente, um avô foi localizado em São Paulo e irá assumir a responsabilidade de cuidar dos dois netos que estavam aqui em Santos”, relatou Maria Luíza.



A ACMD vem se preocupando com o tema já há alguns anos, tendo já trazido a Santos a experiência da Associação Brasileira Terra dos Homens. Também já realizou pesquisas e visitas para conhecer melhor iniciativas como essa. A mais recente foi no ano passado, quando a atual diretora executiva da ACMD, Deborah Okida, esteve na Inglaterra participando de intercâmbio promovido pelo Rotary e pode conhecer a experiência daquele país.



Outras Informações sobre o Projeto Família Acolhedora podem ser obtidas pelo e-mail maiza_fc@hotmail.com, ou no telefone 3261-2316. A sede é na Casa dos Conselhos (Rua Rei Alberto I, 117 – Ponta da Praia).