Projeto pioneiro de Acolhimento Familiar acontece em Niterói


Em parceria com a Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH), ong que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, e com o apoio da rede local – formada por Conselhos Tutelares, Juizados da Infância e da Adolescência e Conselho Municipal da Criança e do Adolescente -, a Prefeitura de Niterói deu início ao projeto piloto de Acolhimento Familiar. Inicialmente, serão atendidos nove casos de crianças e adolescentes que, por razões diversas, deverão ser afastados provisoriamente de suas famílias de origem e abrigados em uma família acolhedora.



A experiência é pioneira no município. Para que ela seja ampliada e atenda um maior número de crianças e adolescentes abrigados é necessário que mais famílias se inscrevam no programa. Por isso, a ABTH, juntamente com a Secretaria Municipal de Ação Social, dará início a uma campanha de divulgação visando informar e sensibilizar famílias em relação ao projeto. “Temos que motivar novas pessoas e mostrar a elas a importância de acolhimento”, afirma Claudia Cabral, diretora executiva da ABTH. Segundo ela, a família é primeiramente selecionada e depois capacitada para receber a criança. Para apoiar o processo, ela recebe acompanhamento psicológico e social, além de ajuda financeira no valor de R$ 100,00.



Niterói junta-se, assim, a poucos municípios que desenvolvem programas do gênero no país. Entre eles, destacam-se as experiências de Campinas(SP), Diadema (SP), Porto Alegre (RS), São Bento do Sul (SC) e Rio de Janeiro (RJ). Neste último, a ABTH atuou como parceira até 2005.



Informações:



Família Acolhedora: a família que acolhe continua com sua vida cotidiana, mantém sua organização e espaço original e acolhe um filho de uma outra família. Não se trata de uma situação produzida para gerar um contexto familiar. É a colocação de uma criança num contexto familiar já existente As evidências das conseqüências negativas da institucionalização apontam para necessidades de alternativas que defendam o direito à convivência familiar e comunitária e o acolhimento familiar em sua essência defende este direito.



Cultura de Institucionalização: embora o ECA preconize o investimento na integração familiar e considere o abrigamento como medida provisória, levantamento realizado em 2003 nos abrigos da Rede de Serviço de Ação Continuada (SAC) do Ministério de Assistência e Promoção Social, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), constatou em apenas 6% dos municípios brasileiros que aproximadamente 20 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos. A grande maioria dos abrigados tem família (86,7%), sendo que 58,2% mantêm vínculos familiares e apenas 5,8% estão impedidos judicialmente de contato com os familiares. Apenas uma minoria, 10,7% , estava judicialmente em condições de ser adotada.