Realizado o primeiro encontro do Grupo de Estudos sobre a Índia

Ocorreu na última quarta-feira (17 de junho) o primeiro encontro do Grupo de Estudos da ACMD, cujo tema é Índia de Todos os Deuses – Cultura, Filosofias e Mitologia. As atividades, que acontecem dentro o Programa da Associação “Mãos na Consciência”, são ministradas por Marilu Martinelli (atriz, jornalista, escritora e professora, especialista em filosofia oriental e mitologia universal). Interessados podem se inscrever para o segundo encontro, que será realizado dia 1° de julho, mesmo que não tenham participado do primeiro.


A palestrante começou dando um contexto geral sobre a Índia. Disse que é um país muito complexo e cheio de diversidades. Abriga mais de um 1 bilhão de habitantes e conta com 18 idiomas oficiais –  além de mais de 1600 dialetos. É hoje a décima economia mais poderosa do mundo e a segunda que mais cresce. E, apesar de também apresentar uma grande pobreza, tem uma das menores taxas de violência do mundo.


Marilu comentou que a novela “Caminho das Índias” vem cometendo alguns exageros, porém, serve para despertar o interesse do grande público para o tema. Ela deu como exemplo o episódio em que um dos personagens fica espantado ao cruzar com uma tartaruga na rua. Alertou que aquele tipo de manifestação exacerbada não condiz com a realidade. “Absolutamente, isso não existe na Índia. É dificílimo ver uma tartaruga em plena rua, até mesmo porque o trânsito lá é caótico”, afirmou.


Por outro lado, segundo ela, outros pontos abordados são verídicos. “As cerimônias de casamentos são mesmo daquele jeito. Eu vi várias”. Marilu fala com propriedade, pois já foi àquele país por sete vezes. A professora alerta que o principal é voltar à atenção para o modo deles de viver. “O povo da índia nos faz constantemente uma convocação para sermos os próprios escultores de nossas vidas – sem separar a ética da estética. É a unidade na totalidade”, explicou.


E esse aspecto está muito presente na cultura. “Dentro dessa visão, a criação (ou seja o mundo) não é a obra de Deus. É sim o próprio Deus”. Para a facilitadora do Grupo de Estudos isso explica a interação e a relação íntima que cada indiano estabelece com seu meio ambiente. Segundo Marilu, para eles, devemos servir à vida, sem extrair dela a ponto de empobrecê-la. Infelizmente, a grande maioria de nós, ocidentais, faz exatamente o contrário, segundo a palestrante.


Também, durante o encontro, abordou-se as influências e contribuições entre diferentes culturas. O uso do sári (vestimenta típica utilizada atualmente por mulheres da Índia), por exemplo, foi um hábito incorporado depois da primeira invasão muçulmana na Índia, conforme explicou Marilu. Já os indianos também contribuíram de forma inestimável para a humanidade, segundo ela. A professora lembrou que foram os indianos que criaram o número zero – fato que revolucionou o comércio e as futuras descobertas na área de exatas e na ciência. Ao final do encontro, foi apresentado um breve resumo, contendo vários perfis de personalidades indianas que fizeram história. Dentre elas. Ghandi e Madre Teresa de Calcutá. 


Para participar do segundo encontro o investimento é de R$ 50,00. Informações sobre inscrições com Juliana Vieira, no telefone (13) 3222-5002.


Leia aqui a entrevista exclusiva que Marilu Martinelli concedeu à ACMD.