Relatório aborda casos de HIV em crianças da América Latina

Em 2009, pouco mais que a metade (54%) das gestantes com HIV da América Latina recebiam medicamentos antirretrovirais para evitar a contaminação de seus bebês, conforme mostrou o último Relatório Global, do UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS). Ainda naquele ano, foram registrados 58 mil óbitos relacionados à AIDS, na região.


Esses dados vão na contramão da tendência mundial, em que o total de crianças que nascem com HIV reduziu 24% entre 2005 e 2009, devido à ampliação das políticas de tratamento às gestantes. Ainda assim, pelo mesmo documento, 370 mil crianças nasceram com AIDS em 2009 – aumentando para 2,5 milhões o número total de pessoas com menos de 15 anos, vivendo com o vírus no mundo.


Segundo manifestações de especialistas, é sempre bom ressaltar que essas crianças nasceram com HIV sem a menor culpa – ao contrário de um adulto, por exemplo, que pôde fazer uma escolha (a de se prevenir). Mas, no caso dessas crianças, a doença foi imposta.


É importante frisar que quando a mãe recebe o atendimento correto, é muito difícil os bebês nascerem com o vírus. Outro problema grave é que muitas dessas crianças ficam órfãs, devido à doença dos pais. Além disso, em muitos casos, a família se recusa a ficar com eles, por preconceito.


O total de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, que perderam seus pais por causa do HIV, aumentou de 14,6 milhões em 2005 para 16,6 milhões em 2009, segundo o mesmo Relatório.


Por lei, a contaminação do bebê pela mãe, a chamada transmissão vertical, deve ser tratada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, desde 1997. Ainda assim há uma concentração nos serviços. Há bastante cobertura na região Sul e Sudeste, mas quase nenhuma no Norte.


O número de crianças e jovens de até 15 anos, da América Latina, que se contaminaram com o vírus foi considerado baixo, pelo relatório, ficando em torno de 4 mil novas infecções.


Um terço de todas as pessoas com HIV na América Latina vivem no Brasil, onde, segundo o estudo, “esforços precoces e continuados de prevenção e tratamento do HIV conseguiram conter a epidemia”. Ao todo, 92 mil pessoas da região foram infectadas.