RESPONSABILIDADE SOCIALMAIS QUE UMA NOVA CONSCIÊNCIA, UMA QUESTÃO DE ESCOLHA

Falar em Responsabilidade Social sem falar em consciência é a mesma coisa que falar que lugar de adolescente infrator é na prisão, sem que se pense, antes, em que tipo de sociedade ele está vivendo. Portanto, Responsabilidade Social é muito mais que uma nova resposta ou uma nova abordagem para uma sociedade carente de soluções para as suas necessidades mais básicas, como saúde, educação, valores éticos, morais, uma sociedade violenta e faminta.Responsabilidade Social é muito mais que um novo paradigma – é uma questão de consciência. Mas não essa consciência desenvolvida pela percepção de um mundo individualista, utilitário, orientado por objetos, centralizador, concentrador, que tem como força motriz a promoção e o fortalecimento da auto-imagem dos seus personagens, tanto nos setores públicos e privados, como também no social. Precisamos de uma nova consciência que seja movida pela visão de um mundo onde cada indivíduo seja o elo de uma cadeia de vida, de uma teia, de um tecido confeccionado pela comunhão de propósitos, que deve emanar da compreensão de que não estamos sós, mas de que fazemos parte de um todo que está muito acima da nossa capacidade de compreender.Será possível o desenvolvimento dessa nova consciência? Aqui temos que lembrar o grande psicólogo Abrahan Maslow que nos traz duas grandes indagações de ordem moral: “Até que ponto a natureza humana permite a criação de uma boa sociedade?” “Até que ponto a sociedade permite que a natureza humana seja boa?”. Isto é mais ou menos aquela velha história de quem nasceu primeiro: “o ovo, ou a galinha”. Para escaparmos dessa armadilha precisamos reverter a estrutura básica das hierarquias de níveis contextuais que, segundo o matemático Berttrand Russel, é a idéia de que “um conjunto composto de membros é de um tipo lógico mais alto do que os próprios membros, porque define o contexto para pensar neles”.Então, para respondermos as indagações morais citadas por Maslow precisamos sair do sistema e olharmos para a consciência, como sendo de um tipo lógico mais alto que os próprios membros da sociedade, porque define o contexto para pensar neles, ou seja, são as nossas escolhas que criam a realidade que vivemos, e estas escolhas são influenciadas por essa consciência. Todos os problemas que nos afligem nos dias atuais, são resultado das escolhas que fizemos no passado e, tudo que está por vir, será resultado das escolhas que estamos fazendo agora. Portanto somos responsáveis pela realidade que criamos.Precisamos desenvolver uma nova consciência que abarque não apenas o individual, o “eu e o meu”, mas todo o universo, as nossas origens, a origem das galáxias, do nosso planeta, das espécies, da raça humana, de todas as culturas e da evolução do conhecimento. E sabermos de que somos os atores, os cenógrafos, os roteiristas, o palco, a platéia e, principalmente, autores desse grande drama em desenvolvimento da realidade social. Que somos os responsáveis por todas as mazelas, sofrimentos, desigualdades e degradações de toda natureza que ocorrem em nosso pequeno habitat chamado Terra.Talvez aí, quando tivermos desenvolvido esta percepção poderemos compreender que somos uma gota no oceano da consciência universal, que hierarquicamente é de um tipo lógico infinitamente superior e que se manifesta plenamente em nossos cérebros, segundo nos diz os últimos avanços da ciência cognitiva.O primeiro passo para iniciarmos essa jornada de transformação em nossos modos de ver, pensar e sentir, é mudarmos o foco da visão narcisista e nos libertarmos dos interesses individuais de consumo, competição e, principalmente, das nossas hipocrisias. E compreendermos que somos feitos da mesma substância, que estamos entrelaçados a tudo, que somos feitos de poeira estelar, que somos filhos da terra, da água, do fogo, do ar.Precisamos nos religar, no sentido mais profundo e religioso da palavra. Talvez aí, a partir desse momento, deixaremos de ser prisioneiros das nossas ilusões. E então poderemos libertar as nossas crianças e adolescentes de todas as prisões e proporcionarmos a elas uma vida encantadora, onde os valores universais sejam praticados como sinônimo de sucesso e que respondam aos nossos anseios mais profundos de paz, harmonia, solidariedade, compaixão e amor.Aí então, não precisaremos mais falar em Responsabilidade Social, isto será apenas uma lembrança de uma era perdida, onde os homens não sabiam que todas as respostas para todos os problemas estavam ali, bem a sua frente e, que a única coisa que precisariam fazer, era ver com os olhos do coração e entender com a luz da consciência plena. E que tudo dependia apenas de uma decisão, uma escolha, assim como escolher entre o verde e o amarelo, simples assim…Admilson Vieira é Bacharel em Comunicação Social. Consultor de Marketing de Relacionamento. Pesquisador e desenvolvedor de novos processos de marketing com visão holística – antropomarketing. Atuante em programas de responsabilidade social. Diretor adjunto e conselheiro da Associação Comunidade de Mãos Dadas. E-mail: advieira@atribuna.com.br