Universidades e fundações se unem para capacitar negócios sociais

A área de negócios socias tem crescido nos últimos anos, com grandes organizações voltadas cada vez mais a investir em empreendimentos que possam produzir não só os resultados sociais, como a preservação ambiental e desenvolvimento econômico, mas também retorno financeiro, tornando a a atividade, cada vez mais profissional. As estimativas são de que essa classe de investidores represente um mercado global de mais de U$ 500 bilhões nos próximos dez anos.


Para se ter uma idéia do crescimento, a Fundação Kellogg, uma das maiores fundações do mundo, comprometeu U$ 7 bilhões para investir diretamente em empresas com o perfil de negócios sociais, em que em suas missões tivessem envolvimento com criar condições que melhorem a vida de crianças vulneráveis, famílias e comunidades. O retorno do investimento já foi de 4,2% nos últimos dois anos – a meta é alcançar de 4 a 6%.


A Fundação anunciou recentemente, que junto com a Escola de Negócios “Sa?d Business School” da Universidade de Oxford o programa Oxford Impact Investing, que visa ajudar os investidores sociais e profissionais a pensarem estratégias e adquirir as habilidades necessárias para projetar transações inovadoras que possam maximizar a mudança social, com um esforço para avançar no campo dos negócios sociais.


A primeira edição do programa, que será realizada este mês, irá proporcionar aos investidores sociais, financiadores, profissionais financeiros e consultores de todo o mundo uma compreensão mais profunda de capital de risco, instrumentos financeiros, métodos de avaliação de crédito, como medir o impacto social e o retorno do investimento e como comunicar sobre o investimento. O programa irá ajudar os participantes a refinar sua estratégia de negócios sociais e equipá-los com as habilidades práticas para realizar projetos inovadores ma promoção da mudança social.


No Brasil, com a ideia de unir a academia e a expertise das fundações e organizações que atuam no campo social, a Fundação Getúlio Vargas possui um programa de Extensão Universitária, chamada de Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Fundação Getúlio Vargas (ITCP-FGV).A proposta é assessorar negócios inclusivos como estratégia de combate a pobreza a partir de uma nova forma de organizar a economia. 


O programa está ligado a readequação das tecnologias de gestão de negócios, economia e direito desenvolvidas na FGV para construir, junto às comunidades parceiras, tecnologias sociais que representem soluções efetivas para o combate a pobreza e democratização da economia. Fundada no segundo semestre de 2001 a ITCP-FGV já incubou mais de 60 Negócios Inclusivos, capacitou mais de 70 Entidades de apoio e Fomento à Economia Solidária e assessorou cerca 10 programas públicos de geração de trabalho e renda.


Para a Superintendente executiva de sustentabilidade do Instituto HSBC Solidariedade, Claudia Malschitzky, a parceria entre o Instituto e ITCP/FGV fundamental para avançar no desenvolvimento de Tecnologias Sociais para construir soluções de qualificação do investimento social. “Pudemos fomentar o tema “Negócios Inclusivos” e dialogar com outros investidores o caminho possível de romper com a dependência exclusiva com as políticas de assistência social.”, relata Claudia.


Outro exemplo de capacitação é a Usina de Ideias. Organizada pela Artemisia, organização referência em negócios sociais no Brasil, a Usina de Ideias  desenvolve e articula pessoas para construir ou fazer parte de negócios com impacto social, por meio do conhecimento teórico, troca de experiências com atuais empreendedores neste campo e cocriação e teste de ideias de negócio social com uma comunidade de baixa renda.


“Dentro da formação, além de aprender sobre as principais teorias deste novo setor, eles criam de fato um negócio social do zero podendo vivenciar os dilemas práticos que se colocam nas decisões de cada passo desse processo e os aspectos comportamentais exigidos a quem se propõe a criar uma empresa viável economicamente e que gera alto impacto social.”, garante o diretor de desenvolvimento institucional da Artemisia, Renato Kiyama.


Com informações do Gife.